domingo, 17 de janeiro de 2010

Ano novo.... tudo novo?

Os gregos percebiam o movimento da vida de forma circular, ou seja a história para os gregos já estava predeterminada, pois tudo se movimentaria no sentido da repetição, do previsível. Tenho pensado muito sobre isso, principalmente na crença, quase indiscutivel, que nossa civilização desenvolveu de que estamos sempre na direção do progresso, da transformação, do novo.
Certamente, a rapidez com que surgem novos artefatos culturais e tecnológicos nesses tempos de nanotecnologia, estudos do genoma, robótica, etc., muito contribuem para esse sentimento de que o novo seja a marca indelével dos nossos tempos. Mas me pergunto a serviço de que tipo de relações sociais essa tecnologia toda tem sido colocada, em que direção ética e moral a utilização desse aparato tecnológico tem nos conduzido? E aí, por mais angustiante que seja, percebo que estamos dando voltas no tempo e, por que não o dizer, vivenciamos um retrocesso constante, como se déssemos um passo adiante e dez para atrás. Somos capazes de prever minuciosamente as transformações do clima, mas totalmente incapazes de contermos nossos impulsos destruidores da natureza, de forma mais torpe, mais inconsequente do que qualquer uma das gerações do passado (o nosso nível de conhecimento aumenta certamente o nível dessa torpeza). Desenvolvemos a sociologia, a antropologia, as ciências que nos permitem, como nunca dantes, compreendermos as diferenças e semelhanças que nos fazem únicos como espécie. Mergulhamos o mais fundo na compreensão das causas da miséria econômic0-social que caracteriza o mundo contemporâneo. Mas nunca produzimos, numa velocidade tão alta, tantos miseráveis e, o pior, com uma consciência muito clara dessa produção, de suas consequências, de seu carater injusto, mais do que os Gregos, Romanos, e outros povos dominadores, para quem essa consciência não existia, visto se verem como o absoluto do humano, como portadores legítimos de uma superioridade natural.
Finalmente, se há algo de realmente novo nessa história humana, é o altíssimo nível de consciência sobre nós mesmos a que chegamos. Já as nossas práticas... os gregos continuam tendo razão, tudo se repete.

4 comentários:

  1. Grande Clébio , é um prazer desvirginar este Blog , com o primeiro comentário , por isso que digo, BLOGUEILO...vC me fez lembrar Paul Valery , que sempre repetia a exaustão ..."para as novidades, recorram aos clássicos"..tá tudo lá nos Gregos ...acabei de ler O Estrangeiro de A.Camus, em que depois Sartre fez uma crítica , chamando-o de acomodado por não ter sido , como Sartre um intelectual engagée..embora tenha se posicionado a favor da independencia da argélia, solidariedade e coisa e tal....avançamos no intelectual e tecnológico mas não avançamos no ético-moral , a serviço de todos os povos desta nossa Pangea, deu no que deu ..os imensos "Haitís são aqui" parafraseando o "atualchato" Caetano...mas minha consciencia teleológica cristã implica em um eterno rasgo de esperança...nem que leve "trocentos" anos...Mas citando o velhonovo clássico marx..."the point however is to change it" Afroabraços....

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  2. Olá clebio, gostei do seu blog. estou com saudades por favor deixa recado no meu.

    Denis

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  3. Parabéns pelo Blog. Você tem muito o quê dizer e a rede precisa elevar o nível dos debates. Umabraçao, meu amigo.

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  4. É isso aí...
    E eu por aqui.
    Parabéns pelo texto.
    (Quando eu crescer, quero ser igual a vc... Rs...)
    Abração!

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